• Elaine Aliaga

Tudo tem seu tempo

Conte-me sem medo, quantas vezes você ouviu: “já marcaram o casamento?”. E logo depois de casada: “já estão planejando bebê?”, “quero netinhos”. E com o bebê de poucos meses no colo: “quando vai encomendar o próximo?”.

Será que as pessoas nunca ficam satisfeitas? Parece que não. Somos cobradas para nos casarmos, sermos mães de um, de dois, “mas dois tá bom, né?” Ah de você se tiver um terceiro: “Deus te abençoe, quanta coragem”, “foi acidente?”.

A verdade é que não temos que viver o roteiro padrão estipulado pela sociedade, até porque cada uma é feliz de um jeito. Casamento é muito bom, mas casar porque é o que se espera de nós não é legal. O mesmo para os filhos, se você não tem certeza, ou vontade, não deve ter.

De minha parte, eu não almejava gerar e ter um bebê. Talvez adotar, mas parir não.

Com o tempo as pessoas pararam de me abordar e perguntar sobre filhos.

Aos 24 anos eu tive uma embolia pulmonar no pós-operatório de hérnia de hiato e descobri uma mutação sanguínea de trombofilia (Fator V Leiden) que, associada ao uso de anticoncepcional (eu usava desde os 14 anos como tratamento de ovário policístico), ocasionou o problema. Desde então algumas situações exigiram cuidado e o uso de anticoagulantes se fez necessário em determinadas circunstâncias, como uma gravidez, por exemplo.

A falta de vontade somada ao medo de ter outra embolia sempre afugentavam a ideia de engravidar. Lembro que aos 35 anos minha ginecologista perguntou se eu tinha planos nesse sentido e comentei que ainda não e se ela achava que o tempo estava se acabando. Sua resposta neste e nos anos que se seguiram sempre foi: “35 é melhor que 36”, “36 é melhor que 37”, “37 é melhor que 38”...

Quando os 38 chegaram eu comecei a considerar uma possível gravidez. Minha irmã engravidou e eu me empolguei. Conversamos, eu e meu marido, engavetei meus medos e decidimos tentar.

Todo mundo fala de um tal reloginho biológico, de um certo “despertar” para a maternidade. Eu acredito que todas nós, mulheres, temos diversas formas de exercer a maternidade. Seja cuidando de um animal de estimação, do marido, dos sobrinhos, na profissão... nosso ser materno sempre se manifesta de alguma forma. Ser mãe de uma criança não é a única forma da maternidade estar aflorada.

No entanto, o fato é que, por mais clichê que possa parecer, de um dia para o outro este despertar realmente despertou em mim. Notei que até as crianças me olhavam e tratavam diferente, parece que eu me abri para elas, não sei explicar ao certo.

Eu achava que o mais difícil era eu, definitivamente, tomar a decisão de engravidar. Obviamente, eu não sabia de nada...

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