• Elaine Aliaga

Será que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”?

Eu adoro Elis Regina, sua forma de cantar, suas caras, bocas e voz.

Minha canção favorita em sua voz é “Como nossos pais” e é sobre a frase que finaliza esta maravilhosa obra que eu quero falar: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Verdade dura de encarar, principalmente quando não admiramos alguns aspectos de nossos progenitores e os reproduzimos automaticamente em nosso cotidiano.

Carregamos conosco tudo que vivemos e observamos em nossos pais, mas não precisamos repetir seus erros, podemos ter os nossos próprios, erros novos, e certamente os teremos.

Por vezes, no afã de não sermos como eles tropeçamos no exagero do outro extremo, sendo permissivos e mimando nossos filhos, por exemplo, quando tivemos uma educação rígida.

Está disponível hoje, no entanto, uma arma muito poderosa que podemos usar em nosso favor: a informação. Por meio do conhecimento somos capazes de aprender a sermos pais e mães melhores. E isso não quer dizer que nossos pais não foram, mas os tempos são outros e os recursos muito mais acessíveis.

Resta saber se existe em nós a vontade de estudarmos para ser pai e mãe.

Afinal, ser pai e mãe é algo tão natural que não é possível que precisemos estudar para tal, certo? Pode até ser verdade, mas quando conhecemos as etapas de desenvolvimento de uma criança e sabemos porque ela faz isso ou deixa de fazer aquilo, compreendemos que muitas vezes fomos incompreendidos por nossos pais e que a educação que nos foi dada precisa evoluir para um nível acima, com o único objetivo de termos filhos não apenas fisicamente saudáveis, mas também mentalmente.

E não adianta dizer que você apanhou e aprendeu a respeitar os pais, que comeu açúcar até enjoar e sobreviveu, blá blá blá, porque são argumentos pobres até para enganar a si mesmo.

Antigamente, não se usava celular, mas não vejo ninguém reclamando deste aparelhinho que facilita horrores a vida. Na hora de produzir um texto bem apresentável precisávamos, no passado, datilografar, mas hoje ninguém reclama de ter um computador para essa finalidade. E na hora de pesquisar qualquer assunto então, você, saudosista e afirmador das técnicas de antigamente, vai buscar nas enciclopédias ou na biblioteca municipal? Vai nada, agradece aos deuses pelo Google... A lista de facilidades dos tempos atuais é imensa e não vejo ninguém afirmando que deseja abrir mão disso tudo para viver como antigamente. Já quando se trata de educar, ou pensar, como nossos pais é outra história, né?

Bate preguiça, eu sei. Só que nosso maior bem são nossos filhos, nada é mais importante do que eles. Então, vamos deixar nossa zona de conforto e vamos evoluir como pessoas e pais?

Eu recomendo algumas leituras que considero interessantes. Os livros se aprofundam muito mais do que breves artigos de revista, jornal, blog e são fontes mais confiáveis de informação.


O que esperar quando você está esperando, de Arlene Eisenberg – Este livro é uma bíblia, tem muita informação bacana e recomendo a leitura antes mesmo de engravidar. Não é necessário lê-lo integral ou sequencialmente, como possui ótimos índices, pode ir direto ao que interessa e consultar sempre que desejar.


A maternidade e o encontro com a própria sombra, de Laura Gutman – Amei descobrir Laura Gutman, uma argentina que traz muitas verdades. Recomendo a leitura deste livro antes, durante e depois da gravidez, porque segundo a autora: “Ser mãe é uma experiência única e indescritível.”


, de Eduard Estivill e Gonzalo Pin Arboledas – Eu estou há mais de dois anos lendo este livro e seguirei ainda alguns anos em sua leitura. Ele tem muita coisa legal e vai fornecendo informações importantes conforme a criança avança na idade. Algumas informações, como alimentação, são bastante distintas de nossa realidade, visto que são espanhóis e os hábitos por lá são outros, mas de resto tem preciosas dicas e apontamentos.


Método montessori: uma introdução para pais e professores, de Paula Polk Lillard – Se você ainda não conhece Maria Montessori corre e lê este livro. Vai ser uma ótima forma de você fornecer uma educação diferente para sua criança. De quebra você vai fazer uma verdadeira sessão de terapia identificando a origem de muitas das suas limitações.


Criando meninas: Para que sejam felizes, fortes e autoconfiantes, de Steve Biddulph – Gostei bastante da linguagem e da apresentação dos pontos de vista deste livro. Traz pontos importantes e específicos de meninas, mas também traz linhas gerais de educação. O autor também tem a versão masculina do livro, mas esse eu não conheci.


Educação não violenta: Como estimular autoestima, autonomia, autodisciplina e resiliência em você e nas crianças, de Elisama Santos – Se não puder ler nenhum dos outros livros leia apenas este. Necessário repensar a educação e as crenças que carregamos para que nossos filhos sejam pessoas melhores do que nós fomos em todos os sentidos possíveis.


Entretanto, se sua predileção for por vídeos, apesar de não haver um aprofundamento tão grande em determinados assuntos, o canal da Isa Minatel no YouTube pode fornecer pinceladas dos temas dos livros citados e informações excelentes, condizentes com os princípios montessorianos, educação não violenta e da Lauta Gutman, entre outros bastante construtivos.





Imagem da capa: https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/pessoas


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