• Elaine Aliaga

Este tal feminismo

Você já assistiu ao filme “A Esposa”? Ele é baseado em um livro de Meg Wolitzer (que eu não li). O filme é interessante e me levou à reflexão.

Se ainda não assistiu, sugiro que pule para o próximo parágrafo, pois aí vai spoiler... Um grande escritor ganha o Nobel, mas na verdade, quem é o talento que escreve suas obras, sua ghostwriter, é a esposa.

O que chama atenção na adaptação é o silêncio da esposa e o quanto este diz sobre ela.

A pergunta que eu quero fazer a você é quanto silêncio você já fez para evitar briga, estresse ou que o outro se sinta diminuído, ou mesmo contrariado? O quanto você deixou de brilhar para que o outro não se sentisse opaco?

Acontece tanto em uma relação... na maioria das vezes, com as mulheres.

E a razão para colocamos um lençol bem grande ofuscando nosso brilho nem sempre é o ego do outro, às vezes é só mesmo a necessidade de assumir papéis que ninguém mais quer assumir ou que, socialmente, fizeram que acreditássemos que era nossa responsabilidade.

A mulher acaba assumindo o cuidado integral dos filhos, a manutenção e organização da casa. Caso deseje trabalhar e se realizar profissionalmente, deve equilibrar na balança tudo e mais a culpa por sua ausência. Às vezes, ainda cuida de maridos imaturos que não conseguem lidar com o fato de bebês precisarem de mais atenção que eles, ou que são incapazes de se nutrir e cuidar do básico de uma rotina em casa.

É muita coisa, não é mesmo? Vai ainda dar de ser talentosa... aí é ofensivo demais.

Nosso reconhecimento profissional, por vezes, só é associado a uma imagem masculinizada. Deus nos livre de uma mulher competente que atrasa no trabalho porque o filho estava com febre. Valha-me Deus precisar ir ao hospital por conta de uma hemorragia e cólica menstrual. TPM então, ninguém quer uma profissional que altere o humor e a produtividade por causa de hormônios.

Mau humor só vale se for porque o seu time tomou uma goleada no dia anterior, acompanhado de cara fechada para evitar a zoeira...

Maquiagem? Quem precisa? Olheira masculina é sexy, quem assistiu ao Capitão Nascimento em “Tropa de Elite 2” sabe o que eu estou falando. Vá você achar que sua chefe vai achar agradável ver sua cara cansada... “Passa uma base, querida”.

Cabelo grisalho? Em homem é sexy, em mulher é desleixo. A lista é longa, todo mundo sabe. Para alcançar o mesmo patamar do homem, nós, mulheres, escalamos o triplo de degraus e quando lá chegamos, nem sequer temos o mesmo reconhecimento.

Eu já participei de um clube de leitura que lia unicamente literatura feminina e, por vezes, me sentia incomodada porque não deveria ser necessário que existisse um clube no qual fosse esse o propósito. Nós deveríamos ler autores homens e mulheres, naturalmente.

As desigualdades são muitas. E nós, mulheres, somos tão competentes, conseguimos nos destacar em tantos setores e campos de atuação mesmo com todos os obstáculos, desafios e desvalorizações.

É por isso que eu acho que o feminismo é um ideal ultrapassado. Cada vez mais eu acredito que igualar seria nos nivelar por baixo. Os homens é que precisam subir de nível.

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