• Elaine Aliaga

Desfralde

Atualizado: Jan 20

O processo de desfralde é um momento importante e especial no desenvolvimento de um ser humano. Ele pode influenciar, de diversas formas, a vida adulta.

De acordo com especialistas, um desfralde feito de maneira equivocada ou em momento inadequado podem trazer transtornos psicológicos e emocionais. Insegurança, ansiedade, prisão de ventre, são alguns dos sintomas que podem ser apresentados ainda na infância, ou mesmo na vida adulta, devido a equívocos no processo.

Eu me informei bastante sobre o assunto antes deste momento chegar na vida de minha filha. Algumas pesquisas indicavam que o melhor momento era depois de determinada idade, na estação mais quente e de maneira definitiva (não voltar a fralda depois de tirá-la).

Considerei todos os pontos e tentei achar o que era mais adequado para ser aplicado. Acabou acontecendo tudo de forma diferente da planejada, mas de maneira muito satisfatória.


Expectativa

No último trimestre de 2019 eu contratei uma cuidadora infantil para me ajudar na transição para a escolinha. Meu plano era colocar a Angelina no início de 2020 na escola e ela nunca tinha ficado com ninguém além de mim e meu marido. Achei que facilitaria a aceitação de outras cuidadoras se ele vivenciasse a experiência de ser cuidada por outra pessoa estando na segurança de seu lar e com proximidade da mãe.

Informei à cuidadora qual era o meu plano, que incluía ir realizando a transição da fralda para o penico com a Angelina, então com a idade de um ano e nove meses.

Eu a levava comigo ao banheiro desde bem cedo (até pela necessidade), explicava o que acontecia, a deixava observar. Depois comprei o penico bem cedo e a deixava sentar-se nele, com fraldinha mesmo, conversando, lendo, vendo desenhos etc.

Eu queria fazer a transição com calma, de maneira respeitosa e no tempo da Angelina.

Ela deu alguns poucos sinais de que estava iniciando a transição, mas claros (e diversos) sinais de que ainda não estava pronta.


Realidade

A cuidadora atropelou um pouco as coisas...

Um dia, eu estava em tratamento de acupuntura no meu quarto, quando recebi um vídeo da cuidadora mostrando a Angelina sentada no penico fazendo cocô. Poucos minutos depois eu desci ao fim do tratamento e a Angelina tinha feito seu primeiro cocô no penico. Eu fiquei animada e me questionei sobre estar subestimando-a, talvez identificando mal os sinais de imaturidade para o desfralde.

Os dias seguintes transcorreram com muitos escapes e eu notei que minha filha começou a ficar incomodada com o processo. Um dia, ela se urinou toda e escorregou no xixi, assustando-se e chorando muito. Depois, aos prantos, não queria mais colocar a calcinha, claramente incomodada com o fato de se urinar a todo momento...

E foi aí, depois de trocar oito vezes de roupa no mesmo dia por conta de se urinar (o que deixou bem claro que ela não controlava os esfíncteres), e de não querer mais colocar a calcinha, que eu fiz algo que todas as minhas pesquisas falavam para não fazer: coloquei as fraldas de volta.

Expliquei minha decisão para a cuidadora e ela me deixou bastante clara sua opinião de que era eu quem decidia, insinuando que eu era quem estava limitando a evolução da situação e que era normal acontecer dessa forma o processo.

Uma coisa ela tinha toda razão, quando e como minha filha sairia das fraldas era uma decisão minha. Minha no sentido de eu conhecer minha filha muito melhor do que uma pessoa que ficava meio período por dia com ela por não mais do que um mês. Então, senhoras e senhores, retrocedi sem medo.

O ano de 2020 começou e com a adaptação na escola e a ausência de sinais de maturidade para desfralde eu deixei o processo para outro momento. Aí veio a pandemia e os desafios foram muitos, a adaptação à nova realidade foi bastante difícil.

Tentei, então, seguir incentivando a Angelina a ir ao banheiro sempre que eu também ia, ou quando a rotina permitia um tempinho a mais para lermos e brincarmos enquanto ela ficava no banheiro, sem, contudo, tirar a fralda. Outra coisa que todos os textos que li não recomendavam...

Algumas vezes ela fazia xixi no penico, outras não, mas seguia precisando usar a fralda. Notei que quando ela conseguia ficava surpresa no momento que o xixi saía, pois não era um processo que ela dominava. Era uma sensação nova e uma observação em seu próprio corpo.

Com o passar dos dias, a Angelina foi dando maiores sinais de amadurecimento para a transição, tais como: fralda seca por algumas horas, ou querer trocá-la assim que faz xixi ou cocô, a vontade de usar calcinha, de fazer suas necessidades no penico ou vaso sanitário como a prima ou a amiguinha.

Então um dia ela não usou mais a fralda e houve poucos escapes. Ela tirou a fralda de dia e eu a mantive em uso por cerca de uma semana e meia durante a noite apenas para ter segurança. Como ela, de fato, estava pronta para a transição naquele momento, aos 2 anos e meio (mais ou menos), a fralda da noite também foi abandonada e ela só fez xixi durante o sono em três ocasiões.

Novamente, fui contra as recomendações gerais quando, ao viajarmos, coloquei a fralda nela durante a viagem e, também, ao dormir, nos dias que ficamos fora, pois era um apartamento alugado e sem proteção no colchão para conter o xixi caso vazasse. Expliquei isso para ela, que era uma atitude preventiva e excepcional. As fraldas usadas se mantiveram 100% secas e não retrocedeu nada no processo do desfralde essa exceção.

Uma dica muito útil que vi na internet e adaptei para nosso uso foi pegar um tapetinho daqueles de cachorro urinar e colocar entre o lençol e o protetor de colchão exatamente onde Angelina ficava deitada. Nos três escapes que ocorreram ele foi suficiente para segurar todo o xixi e sequer foi necessário retirar o protetor que não se sujou.

Por fim, eu entendo que o conhecimento e as informações existem para que nos apoderemos deles e os utilizemos de acordo com nossa realidade.

Vale muito o respeito e a paciência com o tempo da criança.

No processo de desfralde, acima de qualquer dica, vale a observação da nossa criança e a compreensão de que não somos nós que desfraldamos nossos filhos, mas sim eles que se desfraldam.




Dicas de livros ótimos que auxiliam no processo de desfralde:



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